sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Natal x Yule

Bem, sou uma pagã criada em berço católico - graças aos deuses, um berço bem light, já que meus pais nunca foram de empurrar os filhos para a Igreja todo domigo, etc, etc. Mas em nossa família, o Natal sempre foi uma data muito especial, quando todos os filhos e filhas (somos seis!)de D. Glaucia e Seu Delcio conseguiam se reunir em peso, com suas respectivas famílias também, e com a companhia certa de vovó Zaïra, mãe de mamãe, vó queridíssima de todos, até sua morte há dois anos.


Agora imaginem se eu poderia faltar a essa noite tão especial, sendo pagã. No way, nem pensar. Tenho muito carinho - e certa melancolia, que a idade começa a dar - pelos rituais que nossa mãe instaurou, como o perfume de pães-de-mel anunciando que o final do ano realmente chegou, a casa toda enfeitada, a correria dos últimos minutos antes da ceia.


A diferença hoje é que vejo com outros olhos essa celebração, e não poderia ser diferente. É como se comemorasse a data duas vezes, já que para mim, não há como celebrar Yule em pleno verão carioca, sendo esse um Solstício de Inverno. Para Lucas ainda é confuso tentar explicar a diferença entre uma coisa e outra, e como ele acredita piamente em Papai Noel (símbolo bem pagão, no fim das contas), nem posso explicar ainda sobre como a Igreja Cristã pegou "emprestado" mais um ritual pagão para buscar mais adeptos entre os camponeses da época em que decidiram que o dia do nascimento de Jesus seria o mesmo dia do renascimento do Deus Sol (ô coisinha conveniente, não?), que era tão popularmente comemorado então. Seria um nó. De qualquer forma, do alto de seus quatro anos, o que interessa pra ele ainda são os brinquedos e as gostosuras que ele vai ganhar na noite.


Mas Lucas já sabe que existe um Yule, que é o nosso "Natal", e que só ano que vem vamos comemorá-lo. Não entrei em detalhes ainda, pelos motivos acima, e porque como sua noção de tempo é mínima, ia ser exaustivo falar todo santo dia que "não, ainda não é hoje", como já está acontencendo em relação ao Natal...


Não me sinto ofendida ou preocupada por participar de um Natal com conotação cristã, assim como nunca abri mão de comemorar a Páscoa com todos os ovinhos a que tenho direito. Acho que num mundo tão inflexível como o em que vivemos, ter jogo-de-cintura é fundamental pra curtir a vida de fato nessas situações. Mais tarde, quando meu filho for um pouquinho mais velho, aí sim, vou explicar preto-no-branco a verdadeira história do Natal. Por enquanto, vou curtindo com ele nossa Árvore (com alguns motivos pagãos, claro, como sininhos de feltro, pentagramas dourados handmade pela mamãe aqui, etc,que também não sou boba...), escrevendo cartinha para Papai Noel...





*Imagem: http://www.pookachild.com/Elsie%20Yule%20pic.htm

1 comentários:

Vitóriah disse...

Oi Nydia, tudo bem?
Cá estou de volta aos posts^^
Eu também nasci em berço católico, mas não tive a mesma sorte que você. Acabei considerada uma rebelde dentro da família, por vezes vista com maus olhos. Como o tempo é sábio e o coração da Deusa é enorme, fui aos poucos sendo recebida com mais carinho apesar de minhas crenças. Hoje estou longe da família, mas converso muito mais com eles agora do que antes...

Um grande beijo,
Vi