terça-feira, 24 de junho de 2008

Noite de Yule


Feliz Yule atrasado (pra variar...)!! E para quem segue a Roda Norte, feliz Litha!
Na sexta-feira de manhã, Lucas já acordou perguntando sobre os preparativos do sabbath. Quis logo armar a árvore, então depois do café-da-manhã, deixei que montasse uma árvore pequena de madeira que temos, e que ele adora, com enfeites pequenininho também. Quando voltei à noite do trabalho, levei algumas imagens de pentagramas, espirais, sóis e luas tríplices que havia escolhido mais cedo na Internet, e já havia mandado plastificar na papelaria perto do trabalho, a Shop do Papel, de Copacabana, que sempre me atende super-bem:

Depois fomos enfeitar uma maçã e um limão com cravos. Lucas adorou espetar quase todos os cravos sozinho, sem ajuda, e ficaram fofos, com um cheirinho delicioso. A maçã ele colocou pendurada na estante do seu quarto, e o limão, na porta de entrada, para receber bem quem chegasse:


Consegui um bloquinho de madeira de cedro para fazer a tora de Yule, e Lucas enfeitou colorindo "com as cores certas" de Yule, segundo ele, e desenhando espirais "para proteção". Depois de colocadas as velas - com cores representando os três aspectos da Deusa - e os enfeites, ficou bem bonitinho:


Eu estava em dúvida sobre o que preparar para o jantar, e acabei fazendo uma torta de forno de frango, queijo, tomate e especiarias, que ficou deliciosa, e de sobremesa, bolo de cenoura com cobertura de chocolate, que é a preferida do meu filho. Ele repetiu, sinal de que ficou mesmo gostoso! Rodrigo fez um suco natural de morango para acompanhar, e tivemos nosso jantarzinho.


Em seguida, fizemos nosso pequeno ritual, bem simples e objetivo, simplesmente agradecendo o que temos, e pedindo força e proteção para os dias de inverno que estava começando. Como estava chovendo lá fora, não deu para queimar a "mini-tora" na varanda, como havia planejado, mas tirei algumas lascas e queimei no caldeirão para manter a tradição e trazer sorte. Nessa hora, Lucas sempre vem para meu colo para ver melhor o fogo - ele adora, não fosse a salamandrazinha que é, meu leonino - e sempre nessa hora também, ele me abraça e diz que me ama. Não sei se a luz apagada da cozinha, o fogo e as sombras projetadas na parede o deixam meio medroso e um pouco sentimental, mas é sempre assim, e claro, adoro esse momento, em que ficamos observando as chamas no silêncio só interrompido por esse "te amo, mamãe".


Fechado o círculo, fomos para a cama, para saber o que Harry Potter estava aprontando, e só!

PS: Todas as fotos foram tiradas pelo Lucas, exceto a em que o próprio aparece, claro. Acho que o bruxinho tem talento, e pode ser um ótimo fotógrafo no futuro, como o tio Evaldo, meu irmão, que é excelente profissional na área! :0)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Reforçando um ritual


Quando Lucas nasceu, quisemos fazer um ritual apresentando-o as elementos da Natureza. Como ele nasceu em agosto, um mês com muitos ventos, esperamos até dezembro, quando estava com quatro meses de idade, para podermos levá-lo à praia com mais tranqüilidade, em um domingo de sol (nada mais lógico, sendo ele um Leaõzinho...).


Foi muito simples. Simplesmente o ergui nas quatro direções, e o apresentei a cada elemento, dizendo baixinho em seu ouvido os nomes dos respectivos elementais, enquanto Rodrigo untou seu peito com óleo mineral e um pouco de areia. Depois molhamos seus pezinhos na beira do mar, e pronto. Continuamos mais um pouquinho ali curtindo a paz do lugar, e voltamos para casa para a hora de amamentar, quando essa paz começou a ser quebrada pela chegada do pessoal de domingo, ávidos por um pedaço de areia.


Só não tiramos nenhuma foto no dia, para não ter que parar toda hora e tirar nossa concentração, mas hoje me arrependo um pouco...


Agosto está chegando de novo, e quero reforçar esse pequeno ritual em seu próximo aniversário, quando fizer 5 anos, já entendendo melhor tudo. O tempo voa mesmo...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Samhain atrasado


Parece que todos meus sabbaths são postados com atraso... *sigh*

Já esperava que esse ano Dedê não estivesse mais com a gente quando Samhain chegasse. Tudo bem. Estava preparada, ainda que muito abalada, claro. De qualquer forma eu sentia que ela estava bem agora, curando seu espírito com a ajuda de nosso pai, então resolvi seguir com a celebração. Afinal, Lucas espera ansioso por cada sabbath, e não quis privá-lo deste.


Colocamos a foto de minha irmã junto com a de papai e de meus avós (e também a do Rambo, pastor-alemão do Rodrigo que vivia no sítio de meus sogros e que morreu ano passado), e duas velas, uma para a Deusa e outra para o Deus. À tarde fiz uma torta de maçã, e enquanto ela gelava no congelador, fizemos duas listas em papéis separados. Em uma, escrevemos tudo de ruim que não queríamos mais em nossas vidas, e na outra, tudo o que desejávamos no novo ano que começava. Claro que Lucas quis fazer suas próprias listas, e lá fomos nós. O engraçado é que ele disse que não tinha nada de ruim em sua vida, e só depois de muito pensar, acabou colocando que não queria mais ter amigdalite (seu karma...), e só - coisa boa, não é? Na outra lista, colocou que queria continuar brincando com seus amigos, conhecer muitos lugares, e ter sempre brinquedos e chocolates. :)


À noite, ele abriu o círculo como sempre, e acendemos nossas velas, pedindo proteção e licença aos guardiãos dos elementos, e a presença da energia de nossos ancestrais. Em seguida, jogamos as listas dobradas no caldeirão, uma de cada vez, e as deixamos queimar, carregando-as com as vibrações certas. Enquanto assistimos ao fogo arder, começamos a conversar sobre aquelas pessoas que estavam representadas nas fotos, que são tão importantes na minha vida, e contei ao Lucas histórias engraçadas do meu avô - tenho várias "em estoque".
Com meu filho no colo, senti uma calma muito grande me cercar, e uma sensação calorosa de que eles estavam conosco naquele momento. Acabou sendo um sabbath muito bom, tranqüilo, e que me deu conforto em relação à minha irmã. Comemos nossa torta e alguns cookies, conversamos um pouco mais, e por fim, Lucas fechou o círculo, agradecendo a presença dos guardiãos e dos ancestrais e mandando-os de volta em paz para seus lugares. Depois dei a ele o jantar, o banho da noite, e o pus para dormir, sereno.


Fiquei um pouco em frente ao altar depois, refletindo sobre o ano que passou e que culminou com a morte da Dedê, e senti que mais um ciclo tinha realmente se completado. A Roda girou mais uma vez.
*Imagem com poema bordado do site Dancing Goddess Dolls: "Todos viemos da Deusa, e para Ela devemos voltar, como uma gota de chuva que corre para o oceano. Todos viemos do Deus Sol, e para Ele devemos voltar, como um caule de trigo que cresce em direção ao céu."

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Os últimos meses foram muito, muito difíceis. Dedê em pouco tempo (e também no que parecia um tempo longo demais) desenvolveu um tumor no cérebo decorrente de um melanoma (também longa história, sem energia para entrar em detalhes a respeito), e de julho para cá, foi tanto sofrimento, que nos últimos tempos estávamos já pedindo para que ela se fosse, para poder ter paz e acabar com sua dor.
No último domingo à noitinha, dia 27, ela se foi, com tranqüilidade, serenamente. Graças aos deuses, agora está começando uma nova etapa, curando seu espírito para subir mais um degrau em sua evolução, assim acredito, com a ajuda daqueles que já se foram e que amávamos.
Hoje é Samhain, quando honramos nossos mortos, e infelizmente sua foto fará parte do meu ritual. Desejo a você toda a paz e amor que não pôde encontrar em seu coração aflito. Vou sentir demais sua falta e seu jeito carinhoso de me chamar de "Neguinha". E a Roda segue.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Nasceu Beatriz!


Minha sobrinha chegou! A filhinha do meu irmão Delcio e da minha cunhada Alcione, chegou no dia 14 de abril, muito linda e já querida por todos nós.
A nota triste é que ela ontem começou a apresentar uma hemorragia e os médicos ainda não sabem a causa. Ela está perdendo muito sangue, mas pelo que meu irmão falou ontem à noite, conseguiram controlar um pouco o quadro, e ela está mais estabilizada. Está com soro, entubada. Tão pequenininha, e já lutando pela vida. Nossa família está passando por uma fase muito difícil, e a chegada da Beatriz havia trazido um pouco da alegria que precisávamos. A notícia de ontem abalou todos nós, e ainda estou processando tudo na minha cabeça. Starhawk escreveu uma benção denascimento em seu ótimo livro "A Quintessência Sagrada", que é o seguinte:
"Desejo que você possa encontrar sempre a cura de que precisar.
Desejo que tenha sempre o bastante para comer e beber e dividir com os outros.
Desejo que possa encontrar o verdadeiro amor.
Desejo que possa escapar de cada armadilha que prepararem para você.
Desejo que tenha forças para sobreviver.
Seja livre, seja forte, seja você mesma.
Seja feliz, seja orgulhosa de ser mulher, seja amada e amorosa.
Viva entre flores, rodeada por águas correntes.
Viva ao calor do sol, respirando ar puro, nutrida pela luz da lua e das estrelas.
Saiba que é bem-vinda, que é uma dádiva preciosa para nós, seja abençoada."
Precisa desejar mais alguma coisa? Todo mundo devia receber um desses quando nascesse, é tudo que se pode desejar para uma vida toda. Vou ficar aqui, rezando para que Beatriz seja uma guerreira, lute por sua vidinha, e saia dessa para ainda fazer muitas molecagens com o Lucas. Que os anjos estejam com ela.